Ariadne - Senhora dos Labirintos - o Mito filosofado sob os aspectos sistêmico e astrológico
A Mente que mente!

A conta desta falta vem através de sua esposa, que se apaixona pelo touro - cobrada divinamente na loucura de um Netuno convulsionado. Dédalo, o inventor (potenciais deste planeta), pressionado pela rainha e ocultando seu ato do rei que lhe deu asilo, cria uma vaca onde Pasífae, às escondidas, realiza sua conjunção venusiana (Vênus, regente de Touro). Deste ato carnal nasce o Minotauro.

Ariadne se arroga e parte em fuga com Teseu após este matar o Minotauro - e possivelmente livrá-lo da dor da existência bestial. Entrega-se com amor à paixão de Teseu, que teme a guerra que será provocada por Minos ao saber da fuga da filha - ele foge - Ariadne está abandonada na ilha de Naxos.

Carla Kalindrah - 17/01/2018

Parece frase batida, mas cada vez que nos debruçamos sobre seu amplo significado, descobrimos um novo ângulo.
É no labirinto da mente que se esconde nossa parte mais brutal, a "feiúra minotáurica" de nossos sentimentos e/ou atos reprováveis.
O Minotauro não representa somente bestialidade; Ele é um excluído do sistema social e familiar, personificação da cobiça e da culpa, da incompreensão e da solidão. É o inconsciente coletivo em profunda negação.
Minos e Pasífae, rei e rainha de Creta, símbolos e adornos do poder social, modelos arquetipais... Minos corrompido pela cobiça e pela húbris ("hybris"/arrogância) não sacrifica o touro branco, seu presente Netuniano - ato que renega o espírito em troca da exaltação da matéria. O rei de Creta cai na mente conCreta.
A conta desta falta vem através de sua esposa, que se apaixona pelo touro - cobrada divinamente na loucura de um Netuno convulsionado. Dédalo, o inventor (potenciais deste planeta), pressionado pela rainha e ocultando seu ato do rei que lhe deu asilo, cria uma vaca onde Pasífae, às escondidas, realiza sua conjunção venusiana (Vênus, regente de Touro). Deste ato carnal nasce o Minotauro.
Um filho que não conta, um "abortado em vida", um corpo que tem cabeça de animal e que devora "humanos".
Seria a "fome" do Minotauro seu desejo de pertencer a raça humana? De tomar pra si a humanidade de sua família? Uma "fome de gente"?

Minos dá mais uma mostra de seu caráter: faz Dédalo construir o labirinto para esconder a vergonha da família.
Será que o campo (destino) equilibrou esta exclusão com a morte de seu filho predileto, Androgeu, pelos atenienses? Afinal Palas Athenas é a Deusa da Justiça! Mas a húbris permanece em Minos, que define a paga da morte de seu filho a Egeu, rei de Athenas: que envie 14 jovens para serem devorados pela besta, entre estes o príncipe Teseu. E a energia de Marte entra no zênite da exaltação.
Ariadne, filha dos reis de Creta, apaixona-se por Teseu. Em certa medida vê em Teseu seu pai (energia de Marte), e sistêmicamente revive a exaltação venusiana de sua mãe. Mas Ariadne ao usar sua imaginação - e dar à Teseu o novelo pra que encontre a saída do labirinto - dá um lugar harmônico a energia netuniana. Mas o herói foi matar seu irmão - e me parece que ela não sabia disto. Está quebrada a hierarquia.
Ariadne se arroga e parte em fuga com Teseu após este matar o Minotauro - e possivelmente livrá-lo da dor da existência bestial. Entrega-se com amor à paixão de Teseu, que teme a guerra que será provocada por Minos ao saber da fuga da filha - ele foge - Ariadne está abandonada na ilha de Naxos.
"Amor com Amor se paga", diz o ditado. E esta relação está desequilibrada na lei... Vênus envia à Ariadne o amor caótico e divino de Dionísio. Ela mais uma vez confia, se entrega, e seu destino é selado ao ceder em sua "natureza", devastada pelo caos dionisíaco que antes de tudo ama as festas e as vinhas. Não há lugar para o amor humanamente natural de Ariadne.

Como uma aranha que fenece ao dar à luz, ela tem com Dionísio seus filhos e depois é transformada em constelação, a Coronae Borealis - 7 estrelas que representam seu diadema, sua coroação divinal, em Escorpião - o planeta da transmutação e realização espiritual. Coroada pelo Amor, presente de casamento de Afrodite. De suas estrelas, diz que outorgam no mapa habilidades artísticas, amor por flores, solidão e desilusão. E também posição de comando e status social, reflexo de uma princesa que comandou a estratégia de fuga de seu príncipe. Existe em seu nome um asteróide (#43) que revela muitos aspectos deste mito no mapa natal.
Ariadne de mortal à divindade, sua festa se dá em Naxos, Grécia, em dezembro. Lá fica um templo à Apolo. O Sol se encontrou com a Lua.
Que possamos encontrar este fio dourado interno. E não excluir esta parte meio gente, meio bicho, ferida... sejamos como a Senhora do Labirintos, divinizada por acreditar no Amor.
@kalindrah
Análise Sistêmica Astrológica
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